Este Trabalho Técnico Científico foi preparado para apresentação no 3° Congresso
Brasileiro de P&D em Petróleo e Gás, a ser realizado
no período de 2 a 5 de outubro de 2005, em Salvador.
Este Trabalho Técnico Científico foi selecionado e/ou revisado pela
Comissão Científica, para apresentação no Evento. O conteúdo
do Trabalho, como apresentado, não foi revisado pelo IBP. Os
organizadores não irão traduzir ou corrigir os textos recebidos.
O material conforme, apresentado, não necessariamente reflete
as opiniões do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás, Sócios
e Representantes. É de conhecimento e aprovação do(s) autor(es)
que este Trabalho será publicado nos Anais do 3° Congresso
Brasileiro de P&D em Petróleo e Gás
METODOLOGIA PARA ESCOLHA DE SEGMENTOS INDUSTRIAIS PARA SUBSTITUIÇÃO
DA ELETROTERMIA POR GÁS
Flávio Fernandes 1
1 IEE-USP, Cidade Universitária, São Paulo - SP,
fernandes.flavio@uol.com.br
Resumo - O artigo apresenta a metodologia
utilizada na tese do autor, para escolha dos segmentos industriais
potenciais na análise de substituição da eletrotermia pelo uso de gases
hidrocarbonetos, querem seja o gás natural (GN) ou liquefeito de petróleo
(GLP). Descreve o histórico brasileiro na opção pelo uso da energia
elétrica através de hidroelétricas e o resultado disto no meio produtivo.
Detalha os itens mais importantes da metodologia, com relação à análise
técnica e econômico-financeira, com o propósito de tornar a substituição
tecnológica uma realidade. Apresenta os principais segmentos selecionados.
Apesar de restringir a região pesquisada, o artigo
mostra que a metodologia pode ser utilizada para qualquer local ou
região.
Palavras-Chave: Eletrotermia 1;
Gás Natural 2; Gás Liquefeito de Petróleo 3
Abstract - The
abstract presents the methodology used in the author's tese, to make
the choose of industrial' segments potential in the analyses of substitution
of eletrothermal to the use of hydrocarbon gases, such as natural
gas (NG) or liquefied of petroleum (LPG). It describes the Brazilian
historic regarding to the option to electric energy from hydro-electrics
and the result of this option in the production. It details the most
important issues regarding the technical and economic-finance analyses,
with the purpose to become the technological substitution realty.
It presents the main segments selected.
Besides the restriction about
the researched region, the methodology can be used in any place or
region.
Keywords: Electric
thermal 1, Natural Gas 2, Liquefied Petroleum Gas 3
1.
Introdução
Os governos brasileiros, durante a "Era Desenvolvimentista" comentado
em Santos (2004) entre as décadas de 1930 e 1980, influenciados pelas
teorias de Keynes, tiveram uma atuação muito forte na economia do país,
principalmente na área de infra-estrutura. Entre outras coisas, construíram
hidrelétricas com o objetivo de gerar uma oferta de energia elétrica
superior a sua demanda, pois um ponto importante e controverso até hoje é o
argumento de que a presença de energia elétrica gera desenvolvimento
social, industrial. Os argumentos prós utilizam à visão noturna de
satélite do globo terrestre, onde o grau de iluminação é maior em países
do primeiro mundo e menor em países pobres. Os argumentos contrários
dizem que, na verdade, a presença da energia elétrica é conseqüência
do desenvolvimento social, industrial. Não iremos aqui defender um
ou outro argumento. Trabalharemos com fatos e os fatos são que o Brasil
nunca cresceu tanto sua economia como durante a "Era Desenvolvimentista".
A estratégia, salvo os excessos, foi válida porque
gerou a infra-estrutura necessária para a ampliação do parque fabril
brasileiro. O mesmo ocorreu nos EUA, quando Roosevelt seguiu Keynes
e reverteu à crise iniciada em 1929, preparando aquele país para ocupar
a primeira posição na economia mundial.
Os investimentos em hidrelétricas fizeram e ainda
faz todo o sentido em um país como o Brasil, que possui abundância
de recursos hídricos. Porém, não a qualquer custo. Conforme apresentado
por Bermann (1991), as hidrelétricas provocam inúmeros danos ambientais
e principalmente sociais, fatos negligenciados naquela época.
Uma vez que os investimentos que foram feitos necessitavam
ser amortizados e devido à crise do petróleo de 1973 e 1979, o governo
incentivou o uso da energia elétrica para aquecimento e geração de
vapor, com tarifas diferenciadas. O objetivo, além de obter o retorno
do capital investido, era reduzir a importação de petróleo. Um efeito
colateral resultou disto: os setores produtivos brasileiros utilizaram
equipamentos elétricos para a produção de calor na forma direta ou
na geração de vapor. Uma indústria elétrica se formou no Brasil, não
só para atender a infra-estrutura, mas também para os equipamentos
de uso final. Outro efeito colateral foi o apresentado por Bermann
(2003) onde a intensidade energética brasileira é superior a de paises
de primeiro mundo, ficando hoje na ordem de 1,25 devido ao tipo de
indústria existente e aos processos produtivos atuais, de acordo com
Bermann (2004), ao passo que EUA e Japão têm intensidades abaixo da
unidade.
Hoje o Brasil necessita de mais investimentos no
setor elétrico, ao mesmo tempo necessita ampliar o uso de gás natural
em um mercado sem a cultura do gás, conforme descrito em Fernandes
(2005) e com um consumo pequeno em relação ao potencial de importação
e necessidade de consumo mínimo para viabilizar o gasoduto construído
entre Brasil e Bolívia. A ampliação do gás natural pode ser uma alternativa
para reduzir a necessidade de investimentos em energia elétrica.
A tese desenvolvida pelo autor tem como objetivo
analisar a eletrotermia em alguns setores produtivos brasileiros e
fazer o estudo da viabilidade técnica, econômica e financeira de substituí-la
por gases combustíveis.
Este artigo tem como objetivo apresentar a metodologia
proposta para escolha destes setores e o estudo de viabilidade proposto
para tal substituição.
2.
Algumas Considerações Técnicas e Econômico-Financeiras
Conforme comentado no trabalho de Santos, Zamalloa,
Villanueva e Fagá (2002), a energia elétrica é a forma de energia mais
nobre que temos. Esta característica vem da versatilidade da energia
elétrica ser transformada em outras formas como a térmica, cinética,
mecânica, entre outras, com perdas menores se comparado com outras
formas de energia.
O gás natural é a segunda forma de energia nobre.
Não tem a versatilidade da elétrica, mas se mantém homogêneo ao longo
do tempo com relação aos gases que o compõem. Além do fato de ser um
combustível que se encontra na forma gasosa, ou seja, a mais propícia
para se dar a combustão completa. Estas características garantem ao
gás natural a regulagem mais precisa dos equipamentos e a menor produção
de poluentes, se comparado com outros hidrocarbonetos.
Estamos focando a utilização de energia elétrica
para fins térmicos e analisar a substituição desta por gás combustível
através da queima direta. A combustão é uma reação química de oxidação,
onde é necessário um combustível (hidrocarboneto gasoso, por exemplo)
e o comburente mais comum que temos: ar atmosférico. Desta reação química
obtemos calor. A chama atinge uma certa temperatura (que pode ser calculada
por interpolação com tabelas em livros de termodinâmica). Esta temperatura é função
de vários fatores, como relação ar/combustível, características do
comburente, temperatura do combustível e comburente, entre outros.
A transferência de calor da chama para destino,
como uma caldeira, reservatório de água, ou outra destinação; se dá por
convecção e radiação. Quanto maior a velocidade dos produtos da combustão,
maior será a convecção. Quanto mais alta for a temperatura da chama,
maior será a radiação.
Com relação à energia elétrica, existe ainda a
transferência de calor por condução, onde um condutor pode transferir
calor diretamente para o objeto a ser aquecido.
A metodologia leva em consideração estes diferentes
comportamentos entre energia elétrica e queima de gás combustível para
obter a energia térmica dos processos industriais. A seguir, veremos
com mais detalhes os principais pontos diferenciais.
2.1. Radiação:
Quando um corpo é aquecido,
seus elétrons ampliam suas órbitas atômicas. Se o aquecimento é muito
grande estes elétrons começam a subir de nível atômico. Quando ocorre
o resfriamento de um elétron este retorna ao nível inicial. Neste momento é emitida
a radiação. No aquecimento de um corpo este processo é dinâmico, ou
seja, ao mesmo tempo em que existem elétrons subindo de nível tem elétrons
sendo resfriado.
A radiação térmica é um tipo de
radiação eletromagnética que está compreendida entre 0,1 e 100mm,
ou seja, parte da faixa do infravermelho, a faixa visível e a faixa
ultravioleta. Se propaga à velocidade da luz.
Como depende dos elétrons, é dependente
do tipo de molécula e dos átomos que a compõem, por exemplo, a chama
que vemos nada mais é do que a radiação visível dos produtos da combustão
aquecidos. Uma característica interessante é a queima de hidrogênio,
que produz uma chama invisível aos olhos humanos. Em geral, quanto
mais carbono possui o hidrocarboneto queimado, mais intensa e radiante é a
chama, inclusive a olho nu.
Mesmo quando o queimador é cerâmico
poroso radiante, a radiação significativa não é a produzida pela cerâmica,
mas sim pela própria chama, segundo AGA (1967).
Esta característica faz com que
em algumas aplicações comparativas entre gás natural, rico em metano,
com uma molécula contendo um átomo de carbono, apresente uma radiação
muito menor do que a queima de um óleo diesel ou óleo combustível,
que possuem um número de carbonos muito maior em suas moléculas.
No caso da energia elétrica, novamente é importante
observar que tipo de substância está sendo aquecida para produzir a
radiação. O condutor é geralmente metálico, substâncias que contém
vários elétrons e níveis atômicos. Aliada a esta característica dos
metais, as temperaturas que conseguimos trabalhar com a energia elétrica
são mais altas. Desta forma, em geral, equipamentos de radiação térmica
elétricos podem produzir mais radiação do que os que funcionam com
gás natural, por exemplo.
2.2. Temperaturas de processos:
Além da radiação, a própria eficiência
do processo é dependente da temperatura. No caso da queima do gás,
o comburente é o ar atmosférico, que contém 1 parte de oxigênio e 3,76
partes de nitrogênio. O nitrogênio passa pela reação química e é apenas
aquecido, roubando energia da própria combustão. Se o excesso de ar é grande,
a temperatura da chama será menor, pois mais nitrogênio será aquecido.
Se o excesso de ar é negativo (com relação ao necessário para uma queima
estequiométrica), a temperatura será maior, mas a combustão é incompleta,
gerando monóxido de carbono, partículas de carbono e pelo fato da temperatura
ser mais alta, parte do nitrogênio reage formando NOx, que irá resultar
em chuva ácida.
Alterar esta condição é possível
aumentando o percentual de oxigênio no ar, porém, fazer isso significa
elevar os custos e não elimina a formação de NOx.
Com a energia elétrica a temperatura
que conseguimos atingir pode ser muito superior se comparada com as
obtidas com a combustão de gases hidrocarbonetos, além de poderem ser
fontes com maior intensidade. Desta forma, os equipamentos podem ser
mais compactos e podem apresentar uma maior produtividade nos processos
produtivos.
Outro fator importante relacionado com as temperaturas
de processos é quanto aos ajustes para obtenção das temperaturas exigidas.
Os controles com energia elétrica são mais precisos e necessitam de
uma quantidade menor de itens.
A conseqüência destas diferenças é custo de capital
menor para equipamentos elétricos, maior produtividade e controles
mais precisos destes. Tudo isto tem que ser pesado nos cálculos econômico-financeiros.
2.3. Qualidade da Energia:
A substituição da energia elétrica pela queima
direta só poderá ser feita analisando a qualidade de energia elétrica
existente. A substituição a ser feita é geralmente de uma energia elétrica
com fator de potência de 1,0 e ausência de harmônicas. Ou seja, em
uma indústria, a energia total pode estar com uma qualidade razoável
devido à diluição destes efeitos colaterais causado pelos equipamentos
que consomem energia elétrica. Uma vez que esta energia elétrica com
qualidade deixa de fazer parte do todo, o restante pode apresentar
um resultado muito pior quanto a fator de potência e harmônicas.
Hoje ainda não existe multa para harmônicas, mas
estas afetam diretamente o sistema elétrico distorcendo a corrente
e tensão, sendo que em alguns casos existe a necessidade de se colocar
filtros específicos, ou isolar o circuito elétrico.
No caso do fator de potência, bancos de capacitores
deverão ser incorporados para se garantir a qualidade da energia.
2.4. Análise Econômico-Financeira:
Segundo Jardim (2002), hoje em dia uma empresa
se destaca de outra devido a sua "competitividade", ou seja, segundo
sua capacidade de ganhar dinheiro. Já Slack (2002), destaca que entre
os cinco objetivos de desempenho da produção (custo, qualidade, rapidez,
flexibilidade, confiabilidade) de qualquer produto ou serviço, o custo é o
mais importante e para onde todos os demais convergem.
Se um produto vende pelo preço menor, o custo é diretamente
relacionado ao sucesso da empresa. Se o produto não vende pelo preço
e sim pela qualidade ou marca, o menor custo também é diretamente relacionado
ao sucesso da empresa, porque ambos trazem a maior lucratividade. Para
reforçar esta colocação, temos a pesquisa realizada pela FAAP com 102
grandes empresários, apresentada pelo artigo de Gurovitz e Blecher
(2005), mostrando que a missão das empresas, em primeiro lugar, para
82% dos empresários, é "dar lucro aos acionistas" (o segundo lugar
era "ser ética nos relacionamentos" com 63%).
3.
Metodologia para a Escolha dos Setores Industriais
A metodologia proposta seguirá as seguintes diretrizes:
3.1. Dados levantados por Strapasson (2004):
Strapasson (2004) levanta informações relevantes
com relação ao potencial dos seguintes macro setores da economia brasileira:
Indústria: Ferro e Aço > Química e Petroquímica > Metais
Não-Ferrosos > Alimento e Tabaco > Minerais Não-Metálicos > Mineração > Têxtil
e Couro. Esta divisão proposta toma como base o potencial máximo em
tEPs que é possível atingir de substituição.
1º) Ferro e Aço: -
percentual de substituição máximo e mínimo: 15% - 11,11%;
- benchmarking: Holanda;
- potencial mínimo e máximo em tEPS: 160 a 310
10^3.
2º) Química e Petroquímica: - percentual
de substituição máximo e mínimo: 9,36% - 0,00%;
- benchmarking: Argentina;
- potencial mínimo e máximo em tEPS: 61 a 160 10^3.
3º) Metais Não-Ferrosos: - percentual
de substituição máximo e mínimo: 57,93% - 38,88%;
- benchmarking: Austrália;
- potencial mínimo e máximo em tEPS: 92 a 156 10^3.
4º) Alimento e Tabaco: - percentual
de substituição máximo e mínimo: 9,36% - 7,27%;
- benchmarking: México;
- potencial em tEPS: 63 10^3.
5º) Minerais Não-Metálicos: - percentual
de substituição máximo e mínimo: 9,73% - 2,66%;
- benchmarking: Venezuela;
- potencial mínimo e máximo em tEPS: 17 a 39 10^3.
6º) Mineração: -
percentual de substituição máximo e mínimo: 29,90% - 0,00%;
- benchmarking: Reino Unido;
- potencial mínimo e máximo em tEPS: 26 a 39 10^3.
7º) Têxtil e Couro: -
percentual de substituição máximo e mínimo: 54,03% - 20,00%;
- benchmarking: Áustria;
- potencial mínimo e máximo em tEPS: 12 a 19 10^3.
3.2. Situação Histórica:
O levantamento da situação histórica do seguimento
industrial, identificando a idade média do parque fabril, irá sinalizar
a maior ou menor dificuldade em substituir equipamentos e consequentemente
fontes de energia. No caso da tecnologia de ar condicionado, a comparação
entre o estado da arte entre países indicará um potencial de redução
de energia e/ou substituição. Todos os macros setores de "3.1" possuem
tecnologia atualizada, sendo o Brasil um dos principais paises em produtividade
e custos de produção.
3.3. Situação Macroeconômica do Segmento:
De maneira geral, os macros setores priorizados
e apresentados no item "3.1" os de Ferro e Aço, Metais Não-Ferrosos, Alimentos e Tabaco
e Mineração encontram se em pleno crescimento para atender a demanda
gerada pelas exportações, principalmente devido à demanda da China.
Grandes investimentos estão sendo feitos na área de Ferro e Aço pelo
setor privado e empresas brasileiras passaram a atuar em outros países,
comprando concorrentes de outros países. Metais Não-Ferrosos também
está em franco desenvolvimento em vários setores, como cobre (o Brasil
deixou de importar e caminha para exportar), alumínio (grandes investimentos
do setor privado brasileiro e multinacional fizeram com que o Brasil
ampliasse seu potencial exportador). Alimentos e Tabaco tem sido o
grande responsável pelo bom desempenho brasileiro nas exportações,
porém no caso de alimentos, com produtos em natura e com pouco valor
agregado. A Mineração também cresce para atender a produção de metais.
Química e Petroquímica encontra se em recuperação, após um período
de estagnação nos investimentos, onde já está em andamento a primeira
planta de gás química e outras plantas de petroquímica estão sendo
estudadas. Têxtil e Couro passou por uma reformulação, onde setor de
têxtil renovou seu parque para conseguir concorrer com os produtos
chineses e couro está crescendo graças a investimentos na produção
de produtos com mais valor agregado.
3.4. Localização Física:
A localização física é importante para viabilizar
as visitas a serem feitas in loco. Tendo como base a cidade de São
Paulo, é necessário restringir a pesquisa de campo em uma região geográfica
próxima a cidade de São Paulo, identificando, além da grande São Paulo,
grande centros regionais. A proposta é trabalhar na área compreendida
entre as seguintes cidades: Campinas, Sorocaba, Santos, São José dos
Campos. A pesquisa das empresas será por CEP, com 5 dígitos, identificando
assim as cidades da região delimitada.
3.5. Definição do Seguimento por Código CNAE-Fiscal:
O código CNAE-Fiscal, antigo código CIU, será utilizado
para identificar os setores. Dentro da base de dados utilizada Silva
(2005) existe também o número de funcionários de cada empresa, representando
subsídio para a definição do porte da indústria a ser escolhida.
Com o levantamento do gasto com energia de setores
específicos, segundo a classificação dos macro setores feitas em "3.1",
irão delimitar o primeiro filtro do universo amostral a ser trabalhado.
Como critério para restringir este universo, iremos identificar os
3 maiores setores de cada macro setor.
Uma vez identificados os setores, um segundo critério
restritivo será a situação histórica de cada setor definido em "3.2",
que terá notas 3, 2, 1, segundo potencial de substituição. Outro critério
será o do item "3.3" onde terá notas
3, 2, 1, com a mesma finalidade.
Com estes critérios de notas, iremos definir apenas
um setor específico, dentro de cada macro setor identificado. A classificação
seguirá a codificação descrita em "3.5".
A delimitação final do universo amotral será feita
considerando a área geográfica definida em "3.4", considerando CEP com 5 dígitos.
Para selecionar os principais tipos de empresas,
será feito a multiplicação dos valores dados, desta forma a seleção
será feita pelas indústrias com resultados maiores.
Uma vez definido o universo amostral, uma análise
econômico-financeira será feita para analisar o custo de operação com
as opções elétrica e a gás, considerando diferenças exergéticas e de
preços de tarifas praticados.
Para cada processo será feito um levantamento de
equipamentos substitutos existentes. No caso de não haver, será feita
uma ponderação e análise da viabilidade física de se desenvolver o
equipamento.
Em todos os casos serão feitas análises de viabilidade
técnica, ambiental, econômica e financeira. Havendo obstáculos para
a substituição, propostas serão feitas para mitigarem ou eliminarem
estes obstáculos.
Em um exercício preliminar da metodologia, os resultados
alcançados foram: de um universo de 5 milhões de empresas, conseguimos
restringir para cerca de 50 mil aplicando o filtro de localização do
item "3.4". Nesta região, a principal
concentração de empresas se deu na área de Alimentos e Tabaco, Têxtil
e Couro e Ferro e Aço. Destes macros setores, o de Alimentos é o que
se encontra com o parque industrial mais antigo, tendo o maior potencial
de substituição de tecnologia. A análise preliminar chegou a um total
de cerca de 2000 empresas a serem pesquisadas. Dentro deste universo
estaremos selecionando o tamanho das empresas, pelo número de funcionários
(informação disponível no banco de dados que estamos trabalhando) para
poder correlacionar com o tipo tarifário de cliente de energia elétrica.
A estimativa é fechar um número de cerca de 1000 empresas, priorizando
clientes com tarifa B3.
4.
Discussão dos Resultados
Através de visitas técnicas feitas pelo autor à Alcoa
(MG), Tecfil (SP), Compagás (PR), Petrobrás (RJ), Shopping Ilha do
Fundão (RJ), além de palestras realizadas e participação nos seguintes
congressos e eventos: IVCBPE, 5ºEnc. Prof. Merc. Gás, Gas Summit, Rio
Oil&Gas, XCBE; o autor apresenta os seguintes comentários:
A energia elétrica é barata no Brasil. Mesmo com
a tendência de aumento devido à necessidade de se construir novas hidrelétricas
e/ou o funcionamento das termoelétricas, não afetará significativamente
a diferença de preço entre energia elétrica e gás natural.
O gás natural tem um preço elevado no Brasil. Mesmo
com a utilização futura do gás de Santos, o preço não será baixo, dado
o custo de exploração em águas profundas. Em contrapartida, a eficiência
térmica de equipamentos à GN ou GLP é menor se comparados a equipamentos
elétricos.
A utilização de Co-geração em grandes consumidores
de energia elétrica é descartada, exceto para projetos onde se utilizam
o CO2. De 100 projetos analisados por especialistas da Petrobrás,
3 tiveram sucesso (cervejarias e fabricantes de refrigerantes).
Grandes empresas consumidoras de energia ou são
multinacionais, ou tem profissionais capacitados a analisar qual a
escolha de menor custo. O GN deve ocupar seu espaço de forma natural.
Este espaço é hoje ocupado em clientes industriais que usam óleo, GLP
e no caso da energia elétrica classe tarifária B3 e A4. A partir de
A3 o cliente pode ir para o mercado livre, inviabilizando a disputa
econômica.
Um ponto importante observado é que as empresas
(de pequeno, médio e em alguns casos de grande porte) não têm uma estrutura
que conheça energia. São, portanto, os melhores potenciais a serem
trabalhados.
A seqüência dos trabalhos da tese, assim que for
finalizada a definição do universo de empresas a serem pesquisadas,
irá levantar informações quanto à existência ou não de tecnologia para
substituição e finalizar com a análise econômico-financeira.
4.1. Existência
de Tecnologia
Um levantamento
irá mostrar se existe ou não a tecnologia para ser feita a substituição,
independente de onde ela se encontra.
Se existir atualmente a tecnologia, o estudo de
viabilidade será feito considerando a aplicação desta tecnologia, sendo
a tese um guia orientativo para a criação de políticas de fomento desta
aplicação. Serão também apresentados os impactos ambientais de tal
substituição.
Se não existir a tecnologia, uma análise técnica
preliminar será feita mostrando se é possível desenvolver tal tecnologia,
sendo a tese um guia orientativo para futuras pesquisas tecnológicas
que irão desenvolver estas tecnologias.
4.2. Viabilidade
Econômico-Financeira
Neste grupo,
serão realizados comparativos quanto aos custos de capitais e os custos
operacionais.
Se houver viabilidade, a tese será um guia para
o fomento deste novo segmento de substituição e poderá ser utilizada
para planos de marketing das distribuidoras de gás, junto com as empresas
que irão processar a substituição; políticas de incentivo dos governos.
Se não houver viabilidade, será apresentado o cenário
atual que inviabiliza esta substituição e serão mostrados cenários
onde a viabilidade poderá se dar. Neste caso, a tese apresentará o
ponto de inflexão da viabilidade da tecnologia. Uma vez conhecendo
estes pontos, os governos poderão criar políticas para antecipar este
ponto de inflexão.
5.
Conclusões
A eletrotermia não foi estudada em profundidade
no Brasil e representa uma opção para a ampliação do uso de gás no
Brasil, que hoje tem na indústria sua ancora, no caso do GN e atualmente
se restringe a deslocar o GLP e óleo combustível.
A metodologia proposta tem todos os indícios para
ser uma ferramenta eficiente na escolha de setores e segmentos industriais
a serem trabalhados a substituição. Entretanto, somente com os resultados
de campo é que estes indícios serão confirmados.
Os fatores econômico-financeiros são decisivos
nas mudanças tecnológicas a serem propostas. A metodologia apresentada
tem como base a aplicação de conceitos racionais utilizados em qualquer
decisão administrativa empresarial, pontuando características relevantes,
combinando estas pontuações, analisando histórico, tendências. E o
empresário será o ator principal para o sucesso de qualquer substituição
tecnológica. Se este ator não estiver convencido da viabilidade econômico-financeira
da substituição, esta não ocorrerá.
Os resultados apresentados são específicos do quadrilátero
pesquisado, caracterizando a concentração de alguns tipos de empresas.
Através do banco de dados utilizado, comparações com outras regiões
ou com o Brasil todo poderão ser feitas. Políticas industriais poderão
ser criadas com a utilização desta metodologia.
A extrapolação para o resto do território brasileiro é possível,
porém nem todo território irá receber o GN, fato que deve ser considerado
neste tipo de extrapolação.
A metodologia poderá ser utilizada em outras regiões,
como forma de planejamento estratégico de marketing das distribuidoras
de GN e GLP ou para pesquisas futuras em outras áreas.
A continuidade dos trabalhos de campo irá encontrar
uma estimativa mais palpável do volume de GN e/ou GLP que é possível
ser utilizado para substituir a eletrotermia nos segmentos selecionados.
6.
Referências
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